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LÍQUIDOS PENETRANTES

Líquidos Penetrantes (LP): Por que o processo de inspeção por LP depende do Inspetor, na aplicação dos produtos, nas superfícies das peças

Publicado em 10/05/2025 · ~4 min de leitura

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A inspeção por Líquidos Penetrantes (LP) é amplamente reconhecido como um dos métodos mais simples e eficientes para a detecção de descontinuidades superficiais.

Justamente por essa simplicidade, ele é também um dos métodos mais executados de forma incorreta — e isso gera falsos resultados, retrabalho, rejeições indevidas e risco operacional.

Na prática, muitos problemas são atribuídos ao “produto”, mas não são do produto Penetrante ou Revelador, e, sim na forma como são utilizados na aplicação.

Este artigo explica por que o ensaio pode falhar e como evitar erros críticos que comprometem a inspeção.


1. O método é simples — mas não é permissivo

O ensaio por Líquidos Penetrantes detecta exclusivamente descontinuidades abertas à superfície, como trincas, poros, dobras e inclusões em materiais não porosos.

O processo de inspeção possibilita a utilização de, basicamente, dois tipos de penetrantes:

Líquidos Penetrantes Aplicação de líquidos penetrantes

Fator extremamente importante para realização do método de inspeção por LP são as condições de preparação e limpeza da superfície da peça.

Preparação inadequada, limpeza e aplicações sucessivas do processo de inspeção por LP, em uma mesma área, comprometem seriamente os resultados.

Isso significa que:

  • Se a descontinuidade estiver obstruída, contaminada ou mascarada, ela não será revelada pois não haverá acesso do penetrante nos defeitos.
  • Se a superfície for porosa ou excessivamente rugosa, o penetrante pode gerar indicações falsas pois o processo de limpeza se torna deficiente.

2. Preparação de superfície: o erro mais comum (e mais negligenciado)

Grande parte das falhas começa antes mesmo da aplicação do penetrante.

Aplicação de líquidos penetrantes

A preparação inadequada da superfície pode:

  • fechar microaberturas de trincas
  • introduzir contaminantes
  • impedir a penetração correta do produto

Processos como jateamento abrasivo, quando mal controlados, podem encobrir completamente a descontinuidade, inviabilizando o ensaio.


3. Tempo de penetração fora do controle

O tempo de penetração não é arbitrário. Ele varia conforme:

  • tipo de penetrante
  • material inspecionado
  • temperatura da peça
  • tipo de descontinuidade

Normas como ASME Sec. V e ASTM E-165 estabelecem tempos mínimos e máximos para garantir a eficiência do método.

OBS. Classificação conforme Código ASME Sec. V – SE-165 ou ASTM E-165.

Tabela 2 – Tempos mínimos de penetração e revelação recomendados pelo ASME Sec. V Art. 6 – Tabela 672 e ASTM E-165
Tabela Tempos de Penetração

A – Para temperaturas de 10 a 52 ºC.
Para temperaturas de 5 a 10 ºC, o tempo de penetração mínimo deverá ser o dobro do tempo indicado na tabela acima.

Erros comuns:

  • reduzir o tempo para “ganhar produtividade”
  • exceder o tempo e provocar escorrimento ou mascaramento

Resultado: perda de sensibilidade e falsas interpretações.


4. Remoção incorreta do excesso de penetrante

Outro erro crítico é a remoção agressiva do excesso de penetrante.

Remoção do penetrante Remoção do penetrante

Quando se utiliza pano excessivamente umedecido com solvente, ocorre a remoção do penetrante de dentro da descontinuidade, anulando a indicação.

Quando se utiliza remoção com água, o jato / pressão da água deve ser controlada. Ao utilizar pistolas ou aplicadores de água para formação do spray, a pressão máxima deve ser de 280 kPa (40 psi).

Cada tipo de penetrante exige:

  • método específico de remoção
  • pressão controlada (no caso de lavagem com água)
  • secagem adequada antes da revelação

5. Revelação e interpretação mal executada compromete a inspeção

O Revelador é o elemento que torna visível a descontinuidade, formando uma camada que absorve o penetrante da descontinuidade.

Camadas muito espessas:

  • borram a indicação
  • dificultam a interpretação
  • assim como escorrimentos

Camadas muito finas ou irregulares:

  • reduzem a absorção do penetrante pelo revelador
  • comprometem a visualização

Além disso, normas como a ABNT NBR NM 334 estabelecem limites claros de pressão, no método de aplicação do Revelador úmido não aquoso, a granel, para garantir a confiabilidade e a formação de uma película adequada do Revelador.

Quando se realiza a aplicação com aerossóis, é fundamental manter uma certa distância do aerosol em relação à peça para evitar formações de excessos e escorrimentos.

Aplicação de aerossóis Aplicação de aerossóis

O tempo de interpretação dos resultados, após a aplicação do Revelador, é de fundamental importância e deve começar a ser realizada a partir de sete (7) minutos ao máximo de trinta (30) minutos.

Interpretação de resultados após aplicação do revelador Interpretação de resultados após aplicação do revelador

6. Temperatura fora da faixa recomendada

O ensaio por Líquidos Penetrantes possui faixa de temperatura operacional definida. Fora dessa faixa:

  • a viscosidade do penetrante se altera
  • a capilaridade é comprometida
  • a evaporação do solvente altera o comportamento do produto

Para ensaios fora da faixa padrão, o uso de blocos comparadores conforme ASME, JIS, Petrobras N-1596 é obrigatório para validação do processo.


Conclusão

Quando o ensaio por líquidos penetrantes falha, o problema pode estar:

  • na preparação da superfície e limpeza inicial
  • no tempo de penetração ou tempo de revelação
  • na remoção do excesso de penetrante
  • na aplicação da camada de revelação
  • ou no tempo da interpretação dos resultados

Importante:
O erro na aplicação final do Revelador poderá significar sérios problemas, pois o processo não permite nova aplicação. A peça deverá por um novo processo de limpeza, normalmente por imersão da peça em tanques de solventes removedores para eliminação total de resíduos decorrentes da primeira aplicação.

A diferença entre um ensaio confiável e um resultado enganoso está no rigor técnico do processo da preparação, aplicação dos produtos e interpretação dos resultados, na superfície das peças.

Antes de usar ou escolher produtos, converse com quem entende do método.

A Serv-End atua há mais de 3 décadas no desenvolvimento e aplicação de soluções em END, alinhadas às principais normas nacionais e internacionais.

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